Gestão Consciente do tempo: menos pressa, mais intenção no novo ano
- Sofia Pereira

- 9 de jan.
- 2 min de leitura

Antes de pensar em metas, números ou resoluções, imagine isto por um instante:
Uma bolacha mergulhada lentamente no leite. Não à pressa. Não distraidamente. O tempo exato para amolecer, sem se desfazer. O gesto simples de saborear com atenção, presença e prazer.
Este momento dura poucos segundos. Mas exige algo raro: presença e não piloto automático.
Talvez seja isto que mais nos falta quando um novo ano começa. Não mais horas na agenda, mas mais momentos habitados com intenção. Mais consciência na forma como usamos o tempo: no trabalho, nas decisões, na vida.
O problema é que entramos em janeiro como se tudo tivesse de acontecer de imediato. Planos, compromissos, responsabilidades, expectativas. Pouco espaço para escutar o corpo, rever prioridades ou perceber que ritmo é, de facto, sustentável.
Talvez se reconheça nisto: começa o ano motivado, responsável e comprometido, mas já cansado, com a sensação de que deu demasiado no ano que passou e que o tempo nunca chegou para tudo.
Este não é um problema individual. Não resulta de falta de disciplina, foco ou ambição. Resulta de uma cultura que normalizou a pressa, a disponibilidade permanente e a ideia de que estar ocupado é sinal de valor.
Gestão Consciente do Tempo: quando o tempo deixa de ser humano
A maioria das pessoas não vive em desorganização. Vive em sobrecarga.
Sobrecarga de papéis, de responsabilidades, de urgências que se tornaram rotina.
Quando o tempo é tratado apenas como um recurso de produção, perde-se algo essencial: a capacidade de recuperar, de pensar com clareza e de decidir com consciência.
O desgaste instala-se de forma gradual e silenciosa, até que o corpo, a motivação ou o sentido começam a dar sinais de alerta.
E, muitas vezes, só paramos quando já estamos demasiado cansados para saborear, seja uma bolacha no leite, seja a própria vida.
Falar de gestão do tempo consciente é falar da forma como escolhemos viver e trabalhar: com intenção, respeito pelos nossos limites e atenção ao que realmente importa, em vez de reagirmos continuamente à pressa e à urgência.
E se o ponto de partida fosse diferente?
E se este ano não começasse com mais metas, mas com mais critério? Não com mais tarefas, mas com mais intenção?
Começar o ano com tempo não significa fazer menos por fazer menos. Significa fazer melhor, com escolhas alinhadas com aquilo que é importante, respeitando ritmos, limites e os diferentes papéis da vida.
É uma mudança subtil, mas estrutural: passar do tempo cheio para o tempo com significado.
Talvez o verdadeiro desafio deste ano seja aprender a dar ao tempo o mesmo cuidado que damos a uma bolacha mergulhada no leite: nem à pressa, nem distraidamente, mas no momento certo.
Bom ano!

Fundadora do Sowise time lab - Laboratório de Inovação em Sustentabilidade Humana no Trabalho



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